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>Analyzer: C.R.A.Z.Y. e o paralelo à minha (obscura?) vida.

16 jul

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Ontem, enquanto eu tava de bobeira na TV, decidi assistir ao Telecine Cult. Ia começar a assistir C.R.A.Z.Y., e decidi programar a minha Sky pra assistir. E tava louco pra assistir o filme, mas conhecidos meus me disseram pra eu não assistir, já que o filme era ruim (diziam eles).
Enquanto começava o filme, eu via que o protagonista, Zac, é um daqueles caras que podem ser iguais a vc. Seja em um aspecto ou outro. Não é um espetacularmente bonito, nem tem um corpo sarado, tem uma família normal como qualquer outra, mas que é constantemente ofuscado pelos irmãos mais velhos. Além de ter um irmão problemático.
O filme não tem uma estória impressionante e complexa. Trata-se de um retrato de um jovem que, não bem aceito pelo pai, passa as duas primeiras décadas de sua vida reprimindo a sua verdadeira identidade pra agradá-lo.
Mas o desenrolar da estória te prende, sobretudo pra mim, que tenho problemas de relacionamento com o meu pai (mais precisamente, guerra fria). Discussões, brigas, conflitos, inseguranças, o vestir da carapuça dita como normal para agradar a sociedade.
Me livrei desse fardo a uns três anos, quando eu olhei pra mim mesmo e disse:

– pq se reprimir? vc não tem NADA a perder. Pq não seja mais vc? Pq não tenta curtir mais a vida? Vc envelhece e… O que vc tem a contar pros seus filhos? E seus netos?
E então, decidi enfrentar o mundo do jeito que sou. Com minhas preferências, mas respeitando o alheio.
E nessa fase, acabei comprando uma briga silenciosa com o meu pai. Parece ser paranoia minha, mas sinto que ele preferiria um filho com certos comportamentos, diferentes dos quais eu tenho atualmente. Éramos meio afastados, e fui mais apegado à minha mãe (igual ao Zac do filme). No entanto, eu decidi me aproximar do meu pai, e a gente conversava sobre vários assuntos. Mas haviam algumas perguntas que ele fazia e me atormentava. Me deixava inseguro. Não me deixava tão feliz quando eu tava com ele. E começou a falar do meu modus operandi. Como o fato do meu approach com as pessoas, por exemplo.
E de algum tempo pra cá, decidi me afastar um pouco com o meu pai. Comecei a não ter uma relação amistosa com a minha mãe, a desaprovação do meu pai em ser considerado “um frouxo”. Tem dias que não consigo conversar com ele, seja pq viaja demais, seja pq eu realmente não quero conversar, seja mesmo pq os assuntos que eu tenho não o motivam a falar mais.
Este é o ponto central do filme: não é um memorial de um homossexual dos anos 60-80 que AMA ouvir David Bowie, Pink Floyd e Patsy Cline (desta vez, influenciado pelo pai, e que dá nome ao filme). Na verdade, isto está em segundo plano. O que realmente mostra é o conjunto de conflitos e incertezas do masculino, a epifania de uma verdadeira identidade, as relações familiares em jogo por não corresponder às expectativas dos pais. O tema é amplo, e transcende qualquer rótulo de “filme gay”.
Eu ainda acho que meu pai me prefere “X”, em vez de “Y”. E eu sei que ele me ama. E muito. Mas cada dia, um novo passo de cada vez. Não? =)
E esta cena do Zac cantando Space Oddity me fez concluir uma coisa: David Bowie É VIDA.
não querendo dar spoiler, mas o nome do filme tbm é um anagrama dos cinco filhos do casal deste filme. =P
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